eSports e o SRIJ: O Estado Atual da Regulação em Portugal

Das 18 entidades autorizadas pelo SRIJ com 32 licenças ativas, quantas oferecem mercados de eSports com profundidade real? Poucas. E o problema não é falta de procura — é regulação. O enquadramento legal português para as apostas desportivas foi desenhado a pensar no futebol, no ténis, no basquetebol. Os eSports entraram no radar depois, e a legislação ainda não os acompanhou de forma plena.

Portugal permite apostas em eSports, mas com restrições que outros mercados europeus não impõem. O SRIJ avalia caso a caso quais as competições elegíveis para apostas, o que significa que nem todos os torneios estão disponíveis e que a oferta pode variar entre operadores. Para quem vem de mercados como o do Reino Unido ou de Malta, onde a cobertura de eSports é extensa, o mercado português parece limitado.

Mercados de eSports Disponíveis nos Operadores Portugueses

Apesar das limitações regulatórias, os principais jogos competitivos estão presentes em vários operadores licenciados. CS2 e League of Legends são os títulos com maior cobertura, seguidos de Dota 2 e, em menor grau, Valorant.

Os mercados disponíveis para eSports tendem a ser mais básicos do que os oferecidos para desportos tradicionais. Nos jogos de maior perfil — finais de Major de CS2, Worlds de League of Legends — encontras mercados de vencedor do mapa, handicap de mapas, over/under de mapas e, por vezes, mercados específicos como primeiro sangue ou total de rondas. Nos torneios de menor dimensão, a oferta reduz-se frequentemente ao vencedor do encontro.

As apostas ao vivo em eSports existem, mas a cobertura é inconsistente. Alguns operadores oferecem odds dinâmicas mapa a mapa nos principais torneios de CS2; outros limitam-se ao mercado pré-jogo. O live streaming de eSports nos operadores portugueses é raro — a maioria dos apostadores acompanha os jogos através de plataformas como a Twitch ou o YouTube enquanto aposta noutra janela.

Uma particularidade dos eSports que afeta diretamente as apostas: a velocidade de evolução dos jogos. Uma atualização de patch no CS2 ou no League of Legends pode alterar fundamentalmente o meta — a estratégia dominante — e invalidar semanas de análise. O apostador de eSports precisa de estar constantemente atualizado, não só sobre equipas e jogadores, mas sobre o próprio jogo.

Limitações Regulatórias e Diferenças Face a Outros Países

Pedro Hubert, diretor do Instituto de Apoio ao Jogador, expressou preocupação particular com a publicidade nas redes sociais e o papel dos influencers no jogo online. Esta preocupação é especialmente relevante nos eSports, onde a audiência é maioritariamente jovem e a fronteira entre conteúdo de entretenimento e promoção de apostas é frequentemente difusa.

A principal limitação do mercado português face a outros países europeus é o alcance da oferta. No Reino Unido, por exemplo, podes apostar em torneios regionais de CS2, em ligas secundárias de League of Legends e até em competições de jogos mobile. Em Portugal, a oferta concentra-se nos maiores torneios internacionais. A razão é regulatória: o SRIJ precisa de validar que a competição tem integridade suficiente para ser alvo de apostas, o que exclui muitos torneios menores onde o risco de manipulação de resultados é considerado mais elevado.

Esta cautela não é infundada. Os eSports têm um histórico de match-fixing — manipulação de resultados — particularmente em competições de tier 2 e tier 3. Jogadores jovens, mal pagos, com pouca supervisão organizacional, são vulneráveis a propostas de manipulação. A posição do SRIJ de restringir as apostas a competições com maior escrutínio é defensável, embora frustrante para o apostador que procura diversidade.

Outro aspecto regulatório: a classificação dos eSports. Nalguns países, os eSports são tratados como uma categoria desportiva autónoma com regulação específica. Em Portugal, são enquadrados dentro da regulação geral de apostas desportivas, sem um regime jurídico próprio. Isto cria uma zona cinzenta que limita a capacidade dos operadores de expandir a oferta e dos apostadores de aceder a mercados mais diversos.

Perspetivas para os eSports no Mercado Português

O mercado total de gambling em Portugal — online e offline — foi estimado em 2,59 mil milhões de dólares em 2025, com um crescimento anual composto de 2,33% projetado até 2029. Os eSports são uma fatia minúscula deste bolo, mas com potencial de crescimento desproporcional.

A audiência de eSports em Portugal cresce todos os anos, impulsionada pela popularidade de criadores de conteúdo portugueses no Twitch e no YouTube. À medida que esta audiência envelhece — e ganha poder de compra — a procura por apostas em eSports vai aumentar. A questão é se a regulação acompanhará essa procura ou se empurrará os apostadores para operadores ilegais que já oferecem cobertura extensa sem as restrições do SRIJ.

Do meu ponto de vista, o caminho mais provável é uma liberalização gradual. O SRIJ tem demonstrado pragmatismo na gestão do mercado, e a pressão dos operadores licenciados para expandir a oferta de eSports é real. A inclusão progressiva de mais competições e mais títulos é o cenário mais realista a médio prazo.

Há um fator adicional que pode acelerar esta evolução: a crescente profissionalização dos eSports. À medida que as ligas se estruturam, os contratos dos jogadores se formalizam e as organizações investem em compliance, o argumento da integridade competitiva fortalece-se. Uma liga profissional de CS2 com contratos milionários e transmissão televisiva tem um perfil de risco muito diferente de um torneio amador organizado num servidor Discord. A distinção entre os dois é onde a regulação pode e deve evoluir.

Para o apostador de eSports em Portugal, a recomendação é clara: aposta dentro do mercado regulado, mesmo que a oferta seja mais limitada. A alternativa — apostar em operadores sem licença SRIJ para aceder a mais mercados — expõe-te a todos os riscos do mercado ilegal sem qualquer proteção. O acesso a mais mercados não vale a perda de segurança. E se queres perceber melhor a dimensão desse problema, a comparação entre apostas legais e ilegais mostra os dados com clareza.

Que jogos de eSports têm mercados de apostas nos operadores portugueses?
Os jogos com maior cobertura nos operadores licenciados em Portugal são CS2 e League of Legends, seguidos de Dota 2 e Valorant. A disponibilidade de mercados depende do operador e da dimensão do torneio — os maiores eventos internacionais como Majors e Worlds têm cobertura mais completa do que competições regionais.
Por que há menos mercados de eSports em Portugal do que noutros países?
O SRIJ avalia individualmente quais as competições de eSports elegíveis para apostas, restringindo a oferta a torneios com integridade comprovada. Esta abordagem cautelosa visa prevenir a manipulação de resultados, um problema reconhecido nos eSports, mas limita a variedade de mercados face a países com regulação menos restritiva.